16/10/12

de tudo um pouco

Talvez eu seja um pouco de tudo que já li. Um pouco de tudo que meu olhar já aprendeu do mundo. Um pouco das belas músicas. Um pouco daqueles que me são queridos. Um pouco de múltiplos sentimentos e algumas fraquezas. Talvez eu seja um pouco do que você deixou em mim, mas em essência, o muito da minha essência, é algo delicado e misterioso…



deixei-me de ti

Poderíamos ter um final feliz, um final repleto de coisas boas, cheio de sorrisos bobos, de histórias em comum. Poderíamos ser um só, e acabámos por ser eu e você e sabe meu amor isso não me incomoda mais. Será sempre o amor, mas deixou de ser o meu. Só lhe peço que me guarde bem como eu o guardo todos os dias desde que partimos de nós dois.


05/10/12

avião de partida

E eu pedi tudo, pedi até de mais. Pedi um excesso que a cada dia me trazia mais de você e me matava mais a mim. Afinal de quem era a vida? O que era meu passou a ser seu e já nada restava de mim e isso me matava. Preparei as suas malas no meu coração, já pode partir. Eu não vou importar mais, chorarei na sua partida como choro em todas as que presencio, mas não será como nas noites que você me tirou o sono. Não vai haver mais noites de insónia sendo você o motivo. O seu avião vai partir, apresse-se se não o quer perder, porque o meu coração já perdeu.


Não sei se me entende


Basta isso

Coisa simples e natural, entendeu? Para complicada já basta a vida.


29/08/12

Tão eu!

Sou composta por urgências, minhas alegrias são intensas, minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos. Eu caminho, desequilibrada, em cima de uma linha tênue entre a lucidez e a loucura. Eu gosto de ter amigos, porque preciso de ajuda pra sentir, embora quem se relacione comigo saiba que é por conta-própria e auto-risco. O que tenho de mais obscuro, é o que me ilumina. E a minha lucidez é que é perigosa … Se eu pudesse me resumir, diria que sou irremediável!
Clarice Lispector.


28/08/12

just love

Ela era uma menina boa, carinhosa. Era feliz do jeito que era, com seu cabelo bagunçado, seu sorriso feio, porém verdadeiro. Era feliz, tendo quem tinha e não tendo quem não tinha. Ela era formada por carinho e afeto. Seu sarcasmo era normal, e indiretas não existiam nela. Ela era feita de nada mais nada menos de alegria. Era compreendida. Era fácil de compreender. Era ela, e só pertencia a ela mesmo. Se achava engraçada, e perfeita com seus defeitos. Tinha pé no chão e coração na lua. Era uma menina que todas queriam ser. Via filmes ” água com açucar ” e tinha medo. Saia com suas amigas. Mas encontrou o amor. E depois, tudo mudou. Tudo acabou, e tudo começou a magoa-la. Ficou fria, quieta. Menina tagarela se tornou alguém ” chata.” Menina de coração puro, com medo e falta de coragem para machucar uma mosca, foi pisotiada. Ficou no chão. Sem ninguém para ajudar. A menina fofa, se tornou alguém magoada. Que guardava seus medos, e que vivia com os pés fora do chão. Dormia como se fosse seu último dia, sem acreditar em nada. Menina boa, com coração bom. Hoje machucada, hoje magoada […] hoje, eu.